Glossário de mineração de Bitcoin: 33 termos que aparecem nas estatísticas do pool e na conta de luz

Os termos abaixo estão agrupados por tema e, dentro de cada grupo, em ordem alfabética. Cada definição foi escrita para ser lida separadamente do resto do texto e entendida sem contexto prévio. Os números citados vêm apenas das nossas próprias análises, com a data do retrato da rede indicada: o retrato de agosto de 2026 da comparação de pools por lucro líquido e os parâmetros dos esquemas de pagamento da análise de PPS, FPPS, PPLNS e TIDES.

Rede e blocos

Coinbase (transação coinbase)

A primeira transação de cada bloco, com a qual o minerador cria as novas moedas e define quem as recebe. Ela reúne o subsídio e as taxas das transações do bloco. Alguns pools pagam os participantes diretamente pela coinbase, ou seja, o dinheiro sai do bloco para o minerador sem passar pelo saldo no pool. Não confundir com a corretora americana de mesmo nome.

Halving

A redução programada do subsídio do bloco pela metade, que ocorre a cada 210.000 blocos, mais ou menos a cada quatro anos. Hoje o subsídio é de 3.125 BTC. Depois do próximo halving, a mesma fatia da rede minerada rende metade das moedas, então o teto de tarifa de energia em que a fazenda ainda se paga cai junto.

Difficulty (dificuldade)

Parâmetro da rede que define quão pequeno precisa ser o hash de um bloco para que a rede o aceite. É recalculado a cada 2016 blocos de modo que um bloco seja encontrado a cada dez minutos, aproximadamente. No retrato de agosto de 2026 a dificuldade era de 127 479 855 693 691. Valores atuais e histórico estão na seção dificuldade da rede.

Orphan block (bloco órfão)

Bloco que o minerador ou o pool encontrou corretamente, mas que a rede não aceitou: outro bloco da mesma altura se espalhou pelos nós mais rápido. O órfão não paga nada, nem subsídio nem taxas. Em PPS e FPPS os órfãos não afetam o ganho do minerador, quem assume o risco é o pool.

Subsidy (subsídio do bloco)

As moedas novas que a rede emite junto com cada bloco. Em agosto de 2026 são 3.125 BTC. Subsídio e taxas de transação somados formam a recompensa do bloco. No mesmo período, as taxas representavam cerca de 0,70% do subsídio nos últimos 4320 blocos, ou seja, a maior parte do ganho do minerador vinha da emissão.

Hashrate e economia

Break-even (ponto de equilíbrio)

O ponto em que a receita do minerador iguala as despesas. Costuma ser calculado de duas formas: a tarifa máxima de energia para o preço atual do BTC e o preço mínimo do BTC para uma tarifa conhecida. Com tarifa de 0,12 dólar por kWh, 100 TH/s domésticos rendiam 3,01 dólares no retrato de agosto contra 3,46 dólares de custo, ou seja, operavam no prejuízo.

Hashprice

O ganho esperado por unidade de hashrate em um dia, normalmente em dólares por TH/s. A métrica junta em um único número o preço do BTC, a dificuldade da rede, o subsídio e as taxas de transação, por isso responde melhor que a cotação do BTC à pergunta sobre quanto o mercado paga pela sua potência. O cálculo com os seus dados está na calculadora de rentabilidade.

Hashrate

A velocidade com que o equipamento testa hashes, medida em TH/s, PH/s e EH/s. Dela depende a fatia do minerador no fluxo total de trabalho do pool e, portanto, a fatia da recompensa. O hashrate mostrado na interface do pool é sempre estimado: o pool o calcula pelo fluxo de shares aceitos, não o mede diretamente.

Luck (sorte do pool)

A razão entre os blocos efetivamente encontrados pelo pool e o número estatisticamente esperado no mesmo período. Valor acima de 100% significa que apareceram mais blocos do que o previsto. No longo prazo a sorte tende a 100%. Em PPS e FPPS ela quase não afeta o ganho do minerador, porque o pool paga por uma taxa fixa, independentemente dos blocos.

Network hashrate (hashrate da rede)

A potência estimada de todos os mineradores de Bitcoin somados. No retrato de agosto de 2026 eram 933.99 EH/s. Quanto maior o hashrate da rede, menor a fatia de cada minerador com o mesmo equipamento e menor o ganho com o preço do BTC estável. O valor não é medido diretamente, é deduzido do tempo entre blocos.

Variance (variância do ganho)

A dispersão dos pagamentos reais em torno da esperança matemática. Nasce da natureza aleatória da busca por blocos. Quanto menor o hashrate e quanto mais raro o pool encontrar blocos, mais os pagamentos oscilam de um período para outro. PPS e FPPS transferem a variância para o pool, PPLNS e SOLO a deixam com o minerador.

Trabalho com o pool

Pool hopping (troca constante de pool)

A prática de mudar de pool com frequência atrás de condições temporariamente melhores. No PPLNS essa troca joga fora a janela de shares acumulada: o minerador sai antes que a sua contribuição seja paga em um bloco encontrado. Esquemas como PPS+ e PPLNS com janela longa são construídos justamente para que o hopping não compense.

Share (share, participação)

Uma solução com dificuldade reduzida que o minerador envia ao pool como prova do trabalho feito. O share não é um bloco, mas confirma que o equipamento está realmente calculando. O pool usa o fluxo de shares para estimar o hashrate do participante e distribuir a recompensa. Às vezes um share sai bom o bastante para virar um bloco da rede.

Stale share (share obsoleto)

Share calculado sobre um modelo de bloco que já não vale: enquanto o minerador calculava, a rede aceitou um bloco novo. Em geral os pools não pagam esses shares. Um percentual de stale sempre alto aponta para latência até o servidor do pool, problemas de rede ou envio pouco frequente de novas tarefas.

Stratum

O protocolo pelo qual o minerador conversa com o pool: recebe a tarefa de trabalho e envia os shares. A versão Stratum V2 acrescenta criptografia e permite que o próprio minerador monte o modelo do bloco, em vez de aceitar o pronto do pool. Vale conferir o suporte a V2 se a descentralização da escolha de transações for importante para você.

Uptime (tempo em operação)

A fração do tempo em que o equipamento ou o servidor do pool realmente funcionam. Minerador parado significa perda direta de ganho naquele período. No pool importa menos a média e mais o comportamento nas quedas: com que rapidez ocorre a troca para o servidor reserva e se os shares se perdem.

Reject share (share rejeitado)

Share que o pool não aceitou: inválido, duplicado, calculado sobre tarefa vencida ou acima da dificuldade definida. Um percentual pequeno de rejeições é normal em qualquer pool. Um salto brusco costuma indicar superaquecimento, overclock no limite ou conexão ruim. Os limites considerados normais variam entre pools, consulte a documentação de cada um.

Worker (worker)

Um registro separado de dispositivo dentro da conta no pool, normalmente no formato "login.nome_do_aparelho". Os workers servem para ver a estatística de cada ASIC isoladamente e entender qual máquina parou ou está entregando muitos shares rejeitados. Os pagamentos, porém, vão para o saldo geral da conta, não por worker.

Esquemas de pagamento

A análise detalhada dos seis esquemas com as contas está em artigo próprio sobre os esquemas de pagamento dos pools de mineração.

FPPS (Full Pay Per Share)

Esquema em que o pool paga uma taxa fixa por share aceito e soma a ela uma parcela média das taxas de transação. O ganho do minerador quase não depende de o pool ter encontrado bloco no período. O risco de azar fica com o pool, por isso a comissão do FPPS costuma ser maior que a do PPLNS.

PPLNS (Pay Per Last N Shares)

Esquema em que o pool paga apenas pelos blocos encontrados e divide a recompensa entre os autores dos últimos N shares. Sem bloco na semana, sem pagamento naquela semana. O ganho é mais volátil, em compensação a comissão é menor e o minerador recebe integralmente as taxas de transação do bloco. Ruim para quem troca de pool com frequência.

PPS (Pay Per Share)

O esquema mais antigo: o pool paga um valor fixo por share aceito e fica com as taxas de transação. O ganho é previsível, mas quando as taxas do mempool sobem o minerador não as vê. Hoje é raro em estado puro, e muitas vezes o que o pool chama de PPS é na prática FPPS.

PPS+

Híbrido: a parte básica do pagamento segue a taxa do PPS e é garantida pelo pool, enquanto as taxas de transação são creditadas conforme os blocos efetivamente encontrados, como no PPLNS. O minerador tem uma base estável de renda e ainda assim não perde os picos de taxa do mempool. A comissão do pool costuma ficar entre a do FPPS e a do PPLNS.

SOLO

Mineração sem divisão de recompensa: o minerador leva o bloco inteiro ou não leva nada. O pool aqui apenas fornece a infraestrutura. O perfil de ganho é de loteria. Pelo cálculo da análise dos esquemas, 100 TH/s esperam o seu bloco em média cerca de 178 anos, 1 PH/s cerca de 17,8 anos e 10 PH/s cerca de 1,8 ano.

TIDES

Variante do PPLNS usada pelo pool Ocean: a janela de shares está atrelada à dificuldade da rede e é medida em blocos esperados, e o pagamento sai direto na transação coinbase do bloco encontrado. O pool não guarda saldo do minerador entre pagamentos, então não tem como reter o acumulado. Em troca, o ganho depende de o pool encontrar blocos.

Payout threshold (limite mínimo de saque)

O valor mínimo que precisa se acumular antes de o pool enviar os fundos para a carteira. Com hashrate baixo o limite demora a ser atingido, e o dinheiro fica meses parado no pool. Na comparação de pools esse limite muitas vezes pesa mais que o percentual de comissão, porque define quando você terá acesso às suas moedas.

Pool fee (comissão do pool)

O percentual que o pool retém da recompensa. É calculado sobre a mesma fatia esperada da rede, não sobre alguma rentabilidade especial daquele pool. A diferença entre um pool de 1% e um de 4% no retrato de agosto foi de 9 centavos por dia em 100 TH/s, enquanto a diferença de tarifa de energia de 0,05 para 0,12 dólar por kWh deu 2,02 dólares.

Equipamento e dinheiro

Inspeção de uma fileira de mineradores ASIC em uma sala iluminada, POOL BTC
Share, janela, luck: os termos do pool na prática

ASIC

Aparelho montado para uma única tarefa: rodar SHA-256 para minerar Bitcoin. Ele não calcula mais nada. É exatamente por isso que o ASIC é ordens de grandeza mais eficiente que placas de vídeo nesse algoritmo. Os modelos se comparam por hashrate, consumo e eficiência energética, e a tabela resumida está no ranking de mineradores.

Custody (custódia do pool)

A questão de o pool guardar ou não as suas moedas até o momento do pagamento. Esquemas não custodiais, como o pagamento pela coinbase, entregam o dinheiro direto do bloco. Um pool custodial mantém saldo, e aí pesam sua reputação, o limite mínimo de saque e a jurisdição. Para onde levar os fundos, veja a seleção de carteiras.

J/TH (eficiência energética)

Joules por terahash: quanta energia o aparelho gasta por unidade de trabalho. Quanto menor o número, mais barato sai o mesmo hashrate. No nosso cálculo de agosto, o modelo de referência para consumo foi o Antminer S21 XP Hyd, com 473 TH/s, 5676 W e 12 J/TH segundo o manual oficial da Bitmain. Máquinas a ar consomem mais.

KYC (verificação de identidade)

Procedimento em que o serviço exige documentos e comprovação de identidade antes de pagar ou liberar saques. Pools, corretoras e casas de câmbio tratam isso de maneiras diferentes. Para o minerador é uma questão prática: onde ele conseguirá receber e trocar o que minerou sem bloqueio. As exigências dependem da jurisdição e mudam com frequência, confirme com o próprio serviço.

Hospedagem e saque

All-in rate (tarifa cheia por quilowatt-hora)

O preço final da energia em uma empresa de hospedagem, em centavos por kWh, incluindo manutenção, refrigeração, reparos e a margem do próprio local, e não apenas o quilowatt em si. Comparar locais pela tarifa "seca" não faz sentido: os adicionais de serviço viram o quadro do avesso. Peça a decomposição da tarifa por componentes antes de assinar o contrato.

Cashback em BTC

Devolução de parte do valor da compra em bitcoin, e não em pontos ou moeda fiduciária. As condições variam entre emissores: o percentual costuma depender do nível do cartão e do volume de fundos bloqueados, e em algumas categorias de compra pode não haver devolução alguma. A tabela comparativa das condições dos cartões está na seção criptocartões.

Colocation (hospedagem de ASIC)

Colocar o seu equipamento em um local de terceiros com energia barata e refrigeração industrial. As máquinas continuam sendo suas, o local vende energia, espaço no rack e manutenção. É a opção para quem não tem em casa nem a potência dedicada nem disposição para aguentar o barulho. A análise dos locais está na seção hospedagem.

Criptocartão

Cartão de pagamento ligado a um saldo em cripto: na hora de pagar, o valor necessário é convertido em moeda fiduciária. Para o minerador é um jeito de gastar o que minerou fora da internet, sem passar por uma corretora toda vez. As diferenças entre os cartões estão na taxa de conversão, nos limites e nas exigências de verificação, não no desenho do plástico.

SLA (acordo de nível de serviço)

Compromisso contratual do local quanto a disponibilidade e prazos de resposta a incidentes, com compensação prevista em caso de descumprimento. Sem SLA, a disponibilidade anunciada continua sendo uma promessa no site. Verifique o que exatamente conta como parada, se manutenções programadas e cortes rotativos de energia ficam de fora e de que forma o local repõe o prejuízo.

O que ler em seguida

Se você veio atrás de uma escolha concreta e não de termos: a lista de pools com comissões e limites de saque está na análise de pools de 2026, e o recálculo mensal do lucro líquido com os mesmos parâmetros está na comparação de pools de agosto de 2026.

*Termos e números conferidos com os materiais do blog POOL BTC: retrato da rede de 14/08/2026 e parâmetros dos esquemas de pagamento de 20/08/2026. POOL BTC não é um pool de mineração, é um site independente de comparação de pools e serviços.*